Mostrando entradas con la etiqueta diarinho. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta diarinho. Mostrar todas las entradas

27 agosto, 2007

Casa nova

Décima mudança em 28 anos.

Não sei como, mas foram quatro viagens de metrô e uma de carro carregada de malas, mochilas, bolsas, sacolas e sacolinhas. É certo que minhas duas singelas maletas iniciais se multiplicaram rapidamente. E já começo a pensar em como farei pra voltar pro Brasil...

Mutirão de uma limpeza que parecia não ter fim. E na verdade ainda não teve.

Coisas e mais coisas para arrumar. Outras tantas para comprar.

MAS TENHO UMA CASA NOVA!!!

Uma casa de verdade, compartida com duas amigas, nessa cidade em que a questão da moradia é de longe um dos problemas mais sérios. Aqui, mais do que de costume, as imobiliárias formam uma máfia que cobra fortunas de fiança, além de aluguéis altos por apartamentos microscópicos.

E, de repente, nos colocamos em movimento e surge um apezinho bacana de proprietário brasileiro, em um bairro simpático, a ser habitado por mim nos próximos meses.

** Lembrança anos 80: não sei porque mas o câmbio ativou alguma coisa lá no fundo da caixinha da memória.

** Bons fluídos: mudança com direito a ajuda de um anjo. Cabelos longos e negros, olhos azuis e fala mansa. Só faltaram as asas.

** Viva aos chinos: a comida na hora do aperto está garantida por um restaurante com pratos agri-doces fartos e preços baixos no prédio do lado. Responsável pela primeira refeição na nova morada (e pela segunda).

** Quase toc: detergente, amoníaco, esponja, trapos, lavadora, esfrega, mais esfrega... e ainda sobra sujeira?!?

** Vizinhança catalã: região menos turística, com moradores de toda a vida. Padaria boa, comércios familiares, butecos com velhinhos jogando carta no meio da tarde. Sotaque catalão nas calçadas. Ah, e gente disposta a dar informação com sorriso no rosto.

** Redes: às vezes lembro de Se um dia a casa cai, mas é só conectar meu computador deitada num balanço tipicamente brasileiro pra voltar a me animar ;)


18 agosto, 2007

Bem gaudéria

Mate amargo (argentino, mas é o que temos)
incenso de violeta
e Telhados de Paris...


Mateando solita e degustando "Latinos en España" (Lola Delgado e Daniel Lozano, La Esfera de los Libros, 2007). Achado precioso hoje na livraria Altair.

Obra do bageense Glauco Rodrigues. Fonte: Página do Gaúcho


23 julio, 2007

Claustrofobia

Meia hora presa em um vagão de trem na escuridão de um túnel entre Muntaner e Sarriá, a caminho da universidade. Sem ar, sem janelas, sem luz, com um calor que aumentava a cada minuto.

Problemas nos ferrocarriles ou nas linhas da Renfe são comuns por aqui. Atrasos, falhas, tudo muito normal até ser eu a ter que ficar ali, impotente. Nada a fazer a não ser tentar não pensar muito e controlar a respiração, que, exageros à parte, beirava a de um claustrofóbico.

"Que nos levem de bicicleta!", dizia uma senhora sentada perto de onde eu estava. Não foi preciso. Dessa vez a culpa foi de uma queda de luz em boa parte de Barcelona que gerou uma avaria do sistema elétrico, logo reparada. Luz e ar condicionado em funcionamento, mais uns minutos para sair do lugar.

E em uma fração de segundo enquanto esperava, lembrei das vítimas do vôo da Tam. Pensei sobre essas conjunções de fatalidades, erros, acasos que nos aproximam de situações limite. Nem todas tão simples de serem resolvidas quanto a que passei nessa manhã.

:::
Cortado e croissant para comemorar minha chegada na universidade.
:::

Até amanhã são 110 mil pessoas sem luz em Barcelona. No meu bairro, meu prédio é um dos poucos iluminados em meio a esse apagão causado por problemas em quatro subestações de energia elétrica.