13 enero, 2008

Problema matemático

Um quarto cheio de coisa e direito a 32 kg de bagagem...

Ta aí uma equação difícil de solucionar.

Pior ainda pra quem guarda recorte de jornal sobre o tema da pesquisa, anotação de seminário, matéria de revista, revistas inteiras. Livro agora só o supra sumo da essencialidade (e que seja fininho). Comecei a mexer nas tralhas e tomei um susto. Têm exemplo de publicações pros meus alunos, crítica de cinema, free cards, dvd, coisinhas, papeizinhos... Tudo até mais ou menos organizado em uma lógica dura de ser desfeita.

O método encontrado é selecionar prioridades e ir mentalizando a idéia do descarte até me acostumar com ela. Hoje consegui liberar uma sacola de roupa velha.

Apego é doença! Mas isso aqui já é tratamento de choque.

07 enero, 2008

Tiempo

Meu computador ainda não chegou ao nível do Gervásio, mac-oráculo da Joana, mas já manda seus recadinhos. Essa foi a música que ele selecionou aleatoriamente hoje:

Tiempo (Jarabe de Palo)
Tiempo es una palabra
que empieza y que se acaba
que se bebe y se termina
que corre despacio y que pasa deprisa.

Tiempo es una palabra
que se enciende y que se apaga
ni se tiene ni se atrapa
no se gira ni se para.

El tiempo no se detiene
ni se compra ni se vende
no se coge ni se agarra
se le odia o se le quiere.

Al tiempo no se le habla
ni se escucha ni se calla
pasa y nunca se repite
ni se duerme y nunca engaña.

Tiempo para entender, para jugar, para querer
tiempo para aprender, para pensar, para saber.

Un beso dura lo que dura un beso
un sueño dura lo que dura un sueño
el tiempo dura lo que dura el tiempo
curioso elemento el tiempo.

El tiempo sopla cuando sopla el viento
el tiempo ladra cuando ladra el perro
el tiempo ríe si tú estás riendo
curioso elemento el tiempo.


E por aqui o tempo também se mede pelos saldos de cada estação. Começam as rebajas de invierno e com elas os espanhóis mais empolgados invadem as lojas logo na abertura e disputam cada peça. A expectativa é que cada um gaste em média 140 euros.

Tempo também de encher os lixos com papéis, pacotes, caixas, restos do que deixaram os reis magos.

Tempo de recomeçar a contagem das estatísticas nos jornais. Do zero de novo, nesse famoso baile das cifras: já são quatro mulheres mortas pelos maridos desde o começo do ano, 80 e tantos mortos em acidentes nas estradas...

Pra mim, é tempo de voltar à academia depois de tantas festas e de pedir o cancelamento da matrícula para o próximo mês.

Tempo de tomar o caminho da UAB, percorrer mais uma vez a biblioteca, ir à aula.

Tempo de fazer a lista do que ainda me falta e buscar uma maneira menos cara de mandar as minhas coisas pro Brasil.

El tiempo no se detiene, ni se compra ni se vende, no se coge ni se agarra, se le odia o se le quiere...

05 enero, 2008

Mi carta a los reyes

Estava tranquila em casa quando sou avisada pelo Rafa que os Reis Magos percorriam em cavalgada as ruas de Barcelona. Como? Eu pensava que eles chegavam, trinfantes em seu barco, somente amanhã... Quinze minutos para trocar de roupa, pegar a câmera e rumar para a minha última festa popular nessa cidade de celebraciones callejeras.

Os Reis Magos representam a magia natalina por aqui. É para Melchior, Gaspar e Baltazar que as crianças escrevem suas cartinhas com pedidos e esperam até 6 de janeiro para que tragam os sonhados presentes.

Cheguei atrasada, mas vi a animação das crianças subidas em escadas levadas pelos pais para garantir uma visão mais privilegiada do desfile. Eu mesma não consegui enxergar muita coisa, mas por via das dúvidas, disputei um dos caramelos atirados à sorte e aproveitei para reforçar meus desejos para 2008.

Começa minha contagem regressiva.

Muitas cabeças e um dos reis magos ao fundo: festa na Via Laetana

04 enero, 2008

Fechei à chave
















Fechei à chave todos os meus cavalos
A chave perdi-a no correr de um rio
Que me levou para o mar de longas crinas
Onde o caos recomeça - incorruptível


De volta à Barcelona, mais beleza de Portugal: Sophia de Mello Breyner Andresen e o Atlântico em Porto

02 enero, 2008

Feliz 2008

Quilômetros de estradas portuguesas, alguns mosteiros, castelos e histórias depois... e foi sendo feita a avaliação de 2007, pelo caminho. Caminho é uma boa palavra pra definir o ano que passou. Intenso caminho.

Comecei eufórica, exausta e feliz pela bolsa, pela viagem, pelo projeto. Cá cheguei, deslumbrada, sorridente. Uma semana para resolver tudo, casa, banco, conta, imigração, universidade. E por um minuto passou pela cabeça: "o que mesmo vim fazer aqui?".

Não é o que nos perguntamos sempre? No final, acho que a pergunta foi respondida devagarinho, quando resolvi deixá-la de lado, em cada encontro, cada descoberta.

Aprendizado de escuta, compreensão do não-dito, na paisagem, na arquitetura, no sotaque, no modo de vida. A cidade ensina. Nem que seja a respitá-la, depois a reconhecer sua complexidade e por último a amá-la, em sua beleza e em sua dureza, na mistura, na música que soa em cada esquina.

Ano de estar longe e estar perto. De reencontrar alguns e fazer outros bons amigos. De me apaixonar, de suspirar, desapaixonar e começar de novo logo depois. Ano de conhecer gente, de permitir a aproximação sincera e verdadeira. Pra quem chegou só com três nomes na agenda...

De romper alguns paradigmas e dar chance ao inusitado. De colocar o pé na estrada (ou no vôo low cost) e conhecer outros chãos, outras caras. Ver e viver o diferente e o nem tanto assim.

Oportunidade de perceber que aquilo que parecia morto e enterrado, dá sinais de vida, perturba, tira o sono, faz pensar. É preciso mexer lá, reconhecer a grandeza do que não explicamos e admitir que, por mais que nos esforcemos, são preparadas algumas surpresas que nos puxam o tapete e nos mostram que estamos longe de ter o controle. Ainda bem!

Tempo de parar e rever o percurso. Momento de voltar a ser só aluna, aprendiz. De começar tudo de novo e não ter medo disso. Só aquele medinho necessário para nos fazer mexer.

Segui ansiosa com os prazos e os trabalhos, segui atenta ao que precisava ser feito. Não perdi a mania de fazer listas, nem deixei de lado a tentativa de colocar cada coisa no seu lugar. Mas dei uma chance maior ao acaso e me permiti seguir um rumo de poucas certezas.

Por um momento, influenciada pelo espírito de final de ano, quis parar o tempo até ter a sensação de tarefa cumprida. Mas algo estranho e inexplicado dá um jeito de se impor para nos fazer pensar diferente. Foi um bom 2007. É hora de assumir até onde pude ir e ver o que fica como missão para 2008, 2009, 2010...

Bem-vindo seja o novo ano!

29 diciembre, 2007

Natal, neve e pausa

Natal diferente, com muito frio e direito a neve ao pé da Serra da Estrela em Portugal.
Ceia com bacalhau natalício, bolo-rei, castanhinha de ovos, peras bêbadas e muitas delícias a mais. Cabrito assado no dia seguinte. Presentes nos sapatos trazidos por um simpático Pai Natal, em casa de grandes amigas. Fogo na lareira. Longe da família.

Totalmente desconectada e, portanto, também longe dessa casa.

Tempo para descansar, pensar, agradecer.

E, devagarinho, vou fechando o ciclo de um momento muito especial. Para começar outro.

Que venha 2008! E que seja tão grande em descobertas, superações e alegrias quanto esse ano.

## Fico devendo as fotos do dia em que senti o maior frio da minha vida. Lindo de doer!

20 diciembre, 2007

Mala pronta, rumo ao Natal!

Já escrevo de Porto, Portugal. Dia cinza, vento e muito frio pela janela. Mas eu aqui aquecida a tomar um cafezinho, depois da sopa, do bacalhau e da rabanada natalina que me esperavam.

Corrida ontem para arrumar tudo, terminar os trabalhos pendentes, apresentar seminário na aula, comprar mala nova, revisar os presentinhos que faltavam, juntar todas as roupas de inverno possíveis. Mais corrida até a estaçao norte, ônibus até o aeroporto de Girona, aviao até Porto, mais metrô para a casa da Chinha.

Já sou perita em vôos baratos, ficalizaçao em aeroportos, com direito a tentativa de passar com água e com botas que apitam. Exatos quinze quilos de bagagem, nem um grama além do permitido, nem um a menos também. Metade eram os livros que trouxe para trabalhar, mais o computador. Feriado de tranquilidade e de estudo. Que a paz das quintas portuguesas me inspire!

Clima de Natal por aqui, com festa para gente no aeroporto, recepçao com cartazes, festa, fotos, abraços. Bonito de ver. No pensamento, já uma preparaçao para a minha vez de voltar.